Racismo na Disney: Cooper Howell manda a real

Imagem: Disney

Conseguir um papel como um príncipe de um musical Disney pode ser o sonho de muitos atores e é uma grande conquista para qualquer profissional da área. Mas esse passo na carreira de Cooper Howell deixou cicatrizes que ficarão marcadas para sempre.

Em recente relato em sua página no Facebook, Cooper relata que quando conseguiu o papel ficou muito feliz poque não imaginava que era possível ser escalado para viver um personagem que foi originalmente escrito como branco e é retratado como ruivo no cinema. O papel em questão é o príncipe Hans do musical “Frozen” em cartaz no Disneyland Resort.

“Quando recebi a ligação não levei a sério, Pra mim, havia 0% de chance da Disney me deixar atuar como um príncipe.”

Mais surreal ainda foi encontrar uma atriz negra, Domonique Paton, no papel da princesa Anna. O ator ainda relata que os executivos e equipe criativa da empresa receberam os dois muito bem es estavam felizes com o resultado do musical. Tudo correu muito bem até que Liesl Tommy, a diretora que foi contratada para criar o espetáculo deixou a produção um novo diretor, Roger Castellano, foi contratado para manutenção.

Em um espetáculo como esse, dentro de um parque temático e com várias apresentações por dia, diversos atores revezam os mesmos papéis, mas segundo Cooper, ele e Dominique passaram a ser alvos de críticas por parte do novo diretor. A primeira das críticas teria sido que quando os dois estavam juntos no palco ficava muito “URBANO” e quando perguntado pelo ator o que ele (Roger Castellano) queria dizer com aquilo, o diretor teria soltado “Você é Inteligente, você pode entender”.

Imagem: Cooper Howell via Facebook

Conforme o relato do ator, as críticas continuaram e o mesmo não acontecia com os outros atores brancos. Mas o que o deixou ainda mais revoltado com a situação foi quando as críticas começaram a ser direcionadas ao do figurino deixar a genital do ator muito aparente. Vale lembrar aqui que um ator não é responsável pela concepção do figurino e existe toda uma equipe que trabalha exclusivamente para esse fim. Mas mesmo assim, as críticas de figurino começaram a ficar mais recorrentes ao ponto de que o assunto era tratado aos gritos em frente de toda equipe e elenco.

Cooper tentou reclamar com o departamento de Recursos Humanos da Disney, mas não obteve retorno. Quando ele procurou pessoalmente um responsável do setor descobriu que suas reclamações nunca teriam chegado ao destino final. Segundo o relato, ele refez os formulários e foi questionado se teriam testemunhas dos abusos, porém seus companheiros de cena não quiseram arriscar seus empregos. Uma investigação teria sido iniciada, mas Cooper nunca mais teve retorno. e o ator acabou pedindo demissão.

Minha despedida foi sem qualquer cerimônia. Bizarra. 100% sem mágica. Eu pendurei meu figurino um última vez e ele foi passado para um novo Hans, um que estranhamente parecia muito comigo, e eu saí do teatro. No parque estava tocando a música “every wish your heart desires will come to you” e eu lembro de rir de quanto essa música parecia vazia.”

A Disney ainda não comentou o assunto. O direor Roger Castellano não trabalha mais no espetáculo.

Confira a íntegra do relato (em inglês):

Resposta a “Racismo na Disney: Cooper Howell manda a real”

  1. […] dentro dessa discussão já compartilhamos aqui no blog um caso de racismo que aconteceu dentro de um dos parques Disney e que ainda não tivemos nenhuma declaração oficial da empresa ; e também uma petição online […]

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